A preocupação com a toxicidade de plantas de interior é legítima. É natural o desejo de garantir uma coabitação feliz e saudável entre as plantas e animais de companhia.


 

É muito fácil aceder a informação relativa à toxicidade de plantas, frequentemente sob forma de listas que procuram categorizar as plantas como tóxicas e não tóxicas para animais de companhia.

Embora seja importante distinguir as plantas tóxicas das não tóxicas, é igualmente importante compreender a origem dessa toxicidade, o grau de toxicidade que está potencialmente em causa e algumas medidas que podem ser tomadas para minimizar os riscos para os animais (e para as plantas).

As plantas, quando confrontadas com a presença de um predador, têm uma desvantagem face aos seres animais: Não têm como fugir, pois, estão enraizadas. Isto levou a que as plantas desenvolvessem alguns mecanismos de defesa para dissuadir os ataques dos seus inimigos.

A produção e acumulação de substâncias tóxicas para os seus predadores foi uma das principais estratégias desenvolvidas para superar a desvantagem da imobilidade.

Desta forma, o efeito indigesto e o sabor intenso (tendencialmente desagradável) que algumas destas substâncias conferem às suas folhas e outros órgãos, pretendem dissuadir os ataques de herbívoros e omnívoros. Não se crê, contudo, que se destinem a provocar a morte do predador.

Tendo ainda em consideração que os nossos animais de companhia não são, à partida, predadores naturais destas espécies no seu ambiente natural, a grande maioria dessas substâncias só se torna uma ameaça real para a saúde dos animais se for consumida em quantidade, na ordem de uma percentagem significativa do peso do agressor.

Uma das armas mais amplamente produzida pelas plantas para o efeito é uma substância denominada oxalato de cálcio. Trata-se de um sal formado por cristais aciculares, agrupados como feixes de minúsculas agulhas, que provoca dormência e uma sensação de ardor quando ingeridos.  Juntamente com o seu sabor amargo, cumpre na maioria das vezes o objectivo de dissuadir os animais de prosseguirem com o ataque, evitando a ingestão de grandes quantidades de planta.

Isto não quer dizer que não ocorram sintomas associados à ingestão dessas substâncias irritantes como, por exemplo, vómitos e diarreia. É a forma que corpo encontra para se ver livre do material vegetal ingerido e que levará à sua recuperação.

Não deixa de ser assustador, mas é importante manter em mente que a estratégia da natureza passa por levar os animais a desistirem do ataque às plantas antes de consumirem uma quantidade que possa representar um problema significativo para a sua saúde ou mesmo letal. É por esta razão que os ataques se caracterizam predominantemente pelo consumo repetido de pequenas quantidades da planta. O efeito dissuasor existe. Infelizmente em muitos casos não é suficiente para evitar novas investidas, mas raramente representarão um risco para a vida de um animal saudável.

O conhecimento sobre a origem dessa toxicidade, o risco potencial e respetivos sintomas pode ajudar a atenuar a preocupação relacionada com a toxicidade das plantas para os animais e a servir para avaliar quais as medidas que podem ser tomadas para minimizar os riscos. Isto passará obrigatoriamente pela monitorização regular do comportamento dos animais na presença ou na introdução de plantas em casa (e pelo controlo do estado das plantas).  Cada caso é um caso. Há animais que ignoram todo e qualquer tipo de plantas e há animais que são “obcecados” por todo e qualquer tipo de plantas.

Para lidar com os animais de companhia mais persistentes:

  • Utilizar sistemas de suspensão para colocar as plantas em altura (p. ex. macramés)
  • Aproveitar a mobília para colocar as plantas fora do alcance dos animais, p. ex., prateleiras, armários e até o topo do frigorífico.
  • Limitar o acesso às mesmas através de barreiras criadas com os móveis.
  • Procurar treinar os animais para que não se aproximem das plantas.
  • Usar substâncias dadas como repelentes para animais de companhia (ex.: vinagre ou soluções com óleos essenciais).
  • Recorrer a plantas classificadas como não tóxicas, em particular para as de maior dimensão que se pretenda colocar no chão.

Algumas plantas tóxicas que estão na lista das plantas tóxicas por conterem oxalato de cálcio, são a plantas muito comuns e apreciadas como a Monstera deliciosa (costela-de-adão), o Philodendron scandens (filodendro), Epipremnum aureum (jibóia).

Outras plantas, igualmente muito procuradas e presentes nas nossas casas, na lista das plantas não tóxicas. Entre estas, a Dypsis lutescens (a nossa Ariana), Beaucarnea recurvata (a nossa Pony), Beaucarnea recurvata (o nosso Bambi), Pachira aquatica (a nossa Paxá) e Pilea peperomioides (a nossa Poppy).

É assim possível salvaguardar uma coabitação saudável e feliz entre plantas e animais nas nossa casas. A sua presença contribuirá certamente para um maior bem-estar e felicidade do nosso dia-a-dia.

 

Adaptação do artigo escrito pela Generosa para a Revista Jardins, Edição Maio 2020.

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