Em nenhuma outra divisão da casa se coloca esta questão. Existe uma ideia generalizada que a presença de plantas nos quartos é desaconselhada. Vamos procurar uma explicação para esta posição e apresentar argumentos (e plantas) para defender que a presença de plantas nos quartos de nossas casas não só não é desaconselhada como é recomendada.


 

As plantas produzem o seu próprio alimento por um processo denominado fotossíntese. Neste processo, que só ocorre na presença de luz, as plantas consomem dióxido de carbono (CO2) e libertam oxigénio (O2). O gás que respiramos e que é essencial à vida humana e animal.

Acontece que as plantas também respiram e, tal como nós, fazem-no independentemente da presença de luz, consumindo O2 e libertando CO2.
Durante o dia as plantas libertam muito mais oxigénio do que o que consomem, logo renovam o ar. Contudo, durante a noite, sem a luz necessária para a fotossíntese, as plantas competem efectivamente connosco pelo consumo de oxigénio e libertam dióxido de carbono piorando potencialmente a qualidade do ar. É um facto. É este provavelmente o fundamento para desaconselhar a presença de plantas no quarto.

Contudo, falta acrescentar um dado: As quantidades em causa. Um estudo recente revelou que um metro quadrado de superfície foliar liberta apenas 125 mililitros de dióxido de carbono enquanto um ser humano liberta uma quantidade de dióxido de carbono de 15 a 30 litros por hora, cerca de cem vezes mais. Isto significa que é preciso tornar um quarto numa verdadeira selva para que os efeitos das plantas se façam sentir ou, de outro ponto de vista, será mais nocivo dormir na companhia de um ser humano ou animal do que com uma planta de companhia no quarto.

Estando desmistificada a ideia que as plantas pioram a qualidade do ar durante a noite no quarto (pelo menos mais intensamente do que um outro ser humano ou animal), passamos a enumerar alguns benefícios que a sua presença acarreta.

A libertação largamente excedente de oxigénio pelas plantas durante o dia e o correspondente consumo de dióxido de carbono contribuem eficazmente para a melhoria da qualidade do ar do quarto durante o dia, renovando-o. Este parece-nos ser, por si só, um bom argumento para ter plantas no quarto.

Colocar plantas no quarto é reintroduzir um componente natural essencial ao nosso bem-estar. Ter uma planta no quarto e passar alguns momentos a cuidar e observar o seu desenvolvimento pode ser um contributo importante para a serenidade que associamos a este espaço mais resguardado das nossas casas. É o local onde procuramos a calma que antecede o período de descanso ou a energia para mais um dia activo.

As plantas são também excelentes elementos decorativos. Plantas pendentes colocadas numa prateleira ou uma palmeira frondosa capaz de produzir infinitos efeitos luminosos, são inúmeras as opções que temos ao nosso dispor para introduzir um pouco de felicidade envasada nos nossos quartos.

A par do critério estético, sempre importante, a selecção da planta ideal para cada quarto obedece às mesmas regras que se aplicam para a selecção de uma planta para qualquer outro espaço.

É necessário conhecer as condições de luminosidade existentes, tal como a orientação solar das janelas ou a quantidade de horas luz que incide no único canto do quarto disponível para colocar a planta. É igualmente importante ter em consideração a experiência do cuidador e disponibilidade real para cuidar das plantas no dia-a-dia. Há plantas mais tolerantes a condições de pouca luminosidade, há plantas que perdoam mais facilmente alguns esquecimentos e há plantas mais exigentes em cuidados.

Para os mais cépticos, ainda renitentes em partilhar o oxigénio nocturno com seres vegetais, a natureza reserva-lhes uma surpresa.

Existem plantas que absorvem CO2 e libertam O2 durante a noite. São denominadas plantas CAM (do inglês Crassulacean Acid Metabolism), que crescem em ambientes áridos com muito sol e muito baixa disponibilidade hídrica. Para evitar perdas de água devidas à abertura dos estomas (orifícios das folhas através dos quais se dão as trocas gasosas nas plantas) durante o dia, desenvolveram um processo alternativo em que armazenam o CO2 absorvido durante a noite em moléculas que são utilizadas no processo fotossintético durante o dia seguinte.

A plantas do género Sansevieria (o nosso Sebas) e a espécie Zamioculcas zamiifolia (a nossa Zazá) são duas plantas de interior do tipo CAM e excelentes opções para ter no quarto. Não só pela particularidade acima descrita, como também por serem plantas muito fáceis de cuidar, tolerantes a alguma neglicência e por produzirem muito poucos detritos. O seu crescimento vertical torna-as muito convenientes para situações onde o espaço disponível não é abundante. A Sansevieria é muito versátil em termos de exigências de luz, tolera condições de muito baixa luminosidade, mas também suporta bem várias horas de sol. A Zamioculcas zamiifolia é uma opção particularmente valiosa para situações em que é necessário recorrer a uma planta que se desenvolva com muito pouca luz disponível.

Para quem queira seguir despreocupadamente as tendências actuais, o Chlorophytum comosum (a nossa Cloe) e o Epipremnum pinnatum (o nosso Edu) são duas excelentes opções para criar efeitos pendentes decorativos, sobre prateleiras, estantes ou em macramés. Plantas muito fáceis de cuidar e com um crescimento rápido, são ideais para entusiasmar quer quem se inicia no maravilhoso mundo das plantas de interior, quer o cuidador mais experiente.

Expostas as considerações que nos levam a defender e a aconselhar a presença de plantas nos quartos, a nossa resposta à questão inicial é:

Ter plantas no quarto? Sem dúvida! Já só resta escolher as mais indicadas.

 

Adaptação do artigo escrito pela Generosa para a Revista Jardins, Edição Agosto 2018.

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